dronedeus

by dronedeus

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about

Todas as faixas foram gravadas ao vivo, durante apresentação no Salão das Ilusões, no Projeto Zuada, em 14 de novembro de 2016.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

Lançamento: SuburbanaCo. + Mercúrio - Gestão, Produção e Ações Colaborativas

credits

released November 14, 2016

dronedeus é:

Gabriel Monteiro (guitarra, efeitos)
Lenildo Gomes (voz, textos)
Rodrigo Colaress (sampler, teclado)
Vitor Sobrenome (baixo, efeitos)

masterização: diego maia

sampler na faixa 2 - hilda hilst "alcóolicas"

sampler na faixa 3 - retirado do filme "o bandido da luz vermelha", dirigido por rogério sganzerla

arte do álbum: rodrigo colares

arte das músicas: mateus de frança

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license

all rights reserved

about

dronedeus Fortaleza, Brazil

dronedeus é um trio fortalezense que mistura spoken word, triphop e experimentalismos eletrônicos. Voz, textos, poesia, samples, distorções, tudo misturado para apresentar uma paisagem quase randômica, que conversa com a tradição da poesia sonora e do art rock, ou rock de vanguarda.

Lenildo Gomes (voz, textos)

Rodrigo Colares (sampler, teclado)

Vitor Colares (baixo, efeitos)
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Track Name: doze suspiros
e da última palavra...
fez-se o último desejo.

sentou e ficou lá,
parada,
prendia a respiração o máximo que suportava.
atingia o limite,
tossia e tentava começar tudo de novo.
aos poucos, foi cansando,
cansando...
forçou,
atingiu o limite, sentiu dores.
os pulmões pareciam inchados, doíam.
prendeu a respiração mais vez, não suportou,
fechou os olhos.

agora somente histórias mais calmas  
a voz de hope sandoval e a lembrança distante do último olhar.
havia um tênis pendurado nos fios da energia elétrica e próximo a ele galhos de uma árvore com pouco tempo de vida.
na quadra velha, sempre vazia, água da chuva acumulada. #
ao longe, uma antiga canção de odair josé e alguém provavelmente feliz. #
com ela, a velha estante repleta de filmes dos anos 40, vinis de cantoras negras tristes e livros de virginia wolf. #
sentia falta.
saudade.
sabia que não voltaria. #
então as lembranças vinham aos poucos, imprecisas. #
e as músicas não eram mais suficientes, os comprimidos não surtiam efeito e o tempo passava sempre com maior lentidão… #
sempre lento, lento...
... até parar de passar um dia.
Track Name: eco ao fundo da canção mórbida
a canção que você fez pra mim tinha algo de melancolia e morbidez.
sonoridade estranha, sentimentos idem e pouca esperança.
da lágrima que correu o lado esquerdo do rosto senti o gosto da dor.
sofri.
de todos os tipos e formas escolhi as mais bizarras.
das mulheres e homens preferi os que haviam perdido.

na primeira manhã o gosto na boca não vinha de mim.
noite dormida cansada que teimava em não acabar.
na segunda manhã, teu desdém cravou fundo no peito qual lâmina afiada. sentimento estranho, esperança idem e pouca sonoridade. lágrima. filete de sangue, olhar endurecido e o eco ao fundo da canção mórbida.

mas amanhã eu sei, será diferente. sei sim: quebrarei o disco da canção, secarei a lágrima, cegarei a lâmina afiada e passarei tudo que perdi pra ti. então, finalmente, conhecerás a minha vida e se arrependerás.

solução nenhuma: bala na cabeça, faca no coração, corda no pescoço, salto alto no asfalto quente. de mim, esperança estranha, sonoridade idem, pouco sentimento.
Track Name: esquinas perdidas, o assassino, a menina
numa dessas esquinas perdidas o assassino esperava.
o tênis azul com listras brancas apertava.
calça jeans envelhecida, camiseta preta básica tamanho p
e as canções de beth gibbons.
...as canções de beth gibbons.
perto de uma dessas esquinas perdidas a menina caminhava pensando no futuro amor.
o tênis vermelho no tamanho certo,
jeans envelhecido colado no corpo
camiseta branca amélie poulain.
a cidade anoitecia,
a lua vinha aos poucos,
delicada e silenciosa
enquanto a menina caminhava
o assassino, paciente, esperava.

da janela, depois da cortina rasgada e suja, das grades enferrujadas, via fios elétricos com tênis, restos de pipas e esperanças juvenis penduradas e abandonadas. existiam árvores antigas, corroídas por cupim e paredes descascando. nos fins de tarde, quase sempre, podia ver o sol se por. com ele, a noite trazia velhos conhecidos e quase nunca sentimentos felizes. ela olhava pra baixo e agradecia, sempre, às grades enferrujadas por estarem ali nos piores momentos, quando a música ficava mais triste e os amores fortuitos da madrugada teimavam em ir embora. alguns, deixavam bilhetes de adeus, outros nem isso. nela, sobrava o hálito do vinho barato, o corpo maculado, a alma ainda mais dilacerada e as flores que nunca chegariam no café da manhã.